O mundo de 15 a 20 de fevereiro

O Escalar da Violência no Leste Europeu

O cessar-fogo em Donbass, no leste da Ucrânia, parece ter chegado ao fim. Ao mesmo tempo o medo e receio da guerra têm aumentado nas cidades fronteiriças desde a última semana. Na última sexta-feira (18) o Presidente da República autoproclamada de Donestsk, Denis Pushilin, acusou o aumento dos ataques das forças armadas ucranianas como justificação para a retirada de civis para a Rússia afirmando que “Uma evacuação temporária salvará as vidas e a saúde de si e dos seus entes e queridos”.

O próprio Governo português aconselhou no último sábado (19) que os cidadãos nacionais que se encontrem na Ucrânia e que “não tenham razão premente para ficar, a que saiam do país enquanto o podem fazer por vias normais”

O escalar da violência no leste da Ucrânia e a evacuação da região de Donbass foi classificada como uma “manobra cínica” pelos Estados Unidos da América, tendo a Casa Branca identificado a medida como uma preparação para o ataque militar da Rússia. Ainda, a vice-presidente norte-americana, Kamala Harris, ameaçou a Rússia com um reforço das forças da NATO e com sanções económicas “severas e rápidas”  contra indivíduos, instituições financeiras e indústrias chave do país. Os Estados Unidos dizem-se convencidos de que a Rússia pretende de facto invadir a Ucrânia de forma iminente face ao agravamento dos combates na linha de frente. Já foram instalados cerca de 6.000 militares suplementares americanos na Roménia, Polónia e Alemanha com a prerrogativa de “defender cada centímetro” dos territórios aliados.

O Kremlin, por sua vez, segue negando intenções de ataque contra a Ucrânia, apesar de reclamar garantias para a segurança interna russa, como a retirada das forças da união atlântica da Europa de Leste, algo que o ocidente se recusa a aceitar. A acusação de Vladimir Putin foi verbalizada na reunião que teve esta semana com o chanceler alemão, Olaf Scholz, onde o mesmo afirmou que qualquer agressão resultaria num “preço alto” para a Rússia, defendendo ainda, numa referência à Ucrânia que “nenhum país deve ser o pátio traseiro de outro”.  

Kiev nega estar a planear qualquer tipo de ofensiva militar em Donbass. Numa mensagem no Twitter, o ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros, Dmytro Kuleba, afirmou que o Governo está empenhado “apenas na resolução diplomática dos conflitos”.

O Novo Investimento Bilionário Europeu

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou esta quinta-feira (17) durante uma visita ao Senegal um investimento de mais de 150 mil milhões de dólares em um plano para o continente Africano. O plano fará parte da iniciativa global às infraestruturas da União Europeia.

Von der Leyen afirma que os fundos dedicados à África representam o primeiro pacote regional a ser implementado como parte da iniciativa de investimento “Global Gateway”, a nova estratégia europeia anunciada no ano passado que visa investir até 340 biliões de dólares em projetos de infraestrutura públicos ou privados até 2027. O objetivo do investimento comunitário é concorrer com a China na construção de infraestruturas na saúde, transportes, educação e ciência.

Na conferência de imprensa, a presidente da Comissão Europeia afirmou que a Europa é o “parceiro mais fiável” e ainda “o mais importante” para África. O programa foi discutido na sexta cimeira da União Africana – cuja presidência rotativa é atualmente ocupada pelo Senegal – que aconteceu nos passados dias 17 e 18. O objetivo final da Cimeira é a subscrição de uma visão partilhada para 2030. Sendo ainda reforçada a necessidade urgente da redefinição da parceria UE-UA assente na igualdade, inclusão, responsabilidade mútua, valores partilhados e prosperidade.

“Esta cimeira é de fundamental importância. Eu vejo isto como uma oportunidade para fortalecer uma parceria que a África e a Europa precisam” afirma a presidente da Comissão Europeia sobre o forte investimento europeu no aumento das capacidades de produção em África.

Notícias Secundárias

  1. Ministro ucraniano do Interior, Denys Monastyrsky, esteve, este sábado (19), debaixo de fogo durante uma visita ao leste do país. Agências de notícias lociais afirmam ter havido uma explosão de projéteis durante uma visita do ministro à linha de frente do conflito com rebeldes separatistas na região de Luhansk.
  1. Polícia canadense realiza último esforço na tentativa travar protestos que já duram semanas na capital. 170 pessoas já foram detidas em manifestações contra medidas de restrição da pandemia.
  1. Rússia vai prolongar exercícios militares na Bielorrússia sem prazo para acabar. Governo de Minsk diz que a decisão é justificada pelo aumento dos combates no Leste da Ucrânia. Boris Johnson afirma que a Rússia está a preparar-se para “a maior guerra na Europa desde 1945”;
  1. Primeiro-Ministro Israelense criticou o acordo de emergência sobre o programa nuclear do Irão, afirmando que seria ainda mais fraco do que o antigo, criando um “Médio Oriente mais violento e mais volátil”.
  1. Tempestade “Eunice” deixa rasto de 16 mortos e muitos prejuízo e pela Europa.
  1. Manifestações de apoio à Junta militar no poder no Mali após o anúncio de retirada militar. A anunciada retirada das forças militares europeias, nomeadamente as da União Europeia coordenadas pela França, que ali combatiam grupos terroristas, foi muito festejada em Bamaco.

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