O Mundo de 19 a 25 de Abril

Rússia-Ucrânia: o conflito que abala o Ocidente

O ministro da defesa russo, Sergei Shoigu, ordenou nesta quinta-feira (23) a retirada do exército russo do território fronteiriço com a Ucrânia e o seu retorno às respectivas bases até o dia 1º de Maio.

O acúmulo progressivo de tropas russas ao longo da fronteira com a Ucrânia nas últimas semanas reacendeu as tensões entre os Estados, alertando o Ocidente. A porta-voz do presidente ucraniano afirmou este mês que a Rússia teria mais de 40,000 oficiais fixados na fronteira oriental da Ucrânia e mais de 40,000 na Crimeia, península ocupada e anexada pelos russos em 2014.

Dymytro Kulebo, ministro dos negócios estrangeiros ucraniano, afirmou que a a retirada das forças militares russas da fronteira poderia, de facto, apaziguar as tensões, mas não seria suficiente para acabar com a escalada do conflito na região oriental de Donbass. Apelando aos Estados ocidentais que continuem a monitorar a situação de perto, encorajando medidas efetivas para a dissuasão da Rússia.

Através do Twitter, o presidente Volodymyr Zelenskiy afirmou que a Ucrânia “acolhe favoravelmente e saúda quaisquer passos para reduzir a presença militar e apaziguar a situação em Donbass (território oriental da Ucrânia)”, adicionando estar “grato pelo apoio dos seus parceiros internacionais”.

Apesar da retirada das tropas, equipamentos militares permanecerão em território próximo à cidade russa de Voronezh, que fica a menos de 400km da fronteira com a Ucrânia, a fim de serem utilizados em outro exercício de defesa agendado para este ano.

Ciente do anúncio russo, o porta-voz norte-americano Ned Price, garantiu que Washington está a observar de perto a situação na fronteira ucraniana, afirmando que estarão em alerta para qualquer ação.

O presidente russo, Vladimir Putin, num discurso que proferiu na última quarta-feira (22) alertou aos países ocidentais a não cruzarem “red lines” não especificadas. E em Moscovo, o Kremilin (sede do Governo russo) afirmou que Putin está avisado do convite do presidente ucraniano para discutirem a crise, apesar de ainda não ter dado uma resposta formal ao mesmo.

O “xerife do mundo” ataca novamente

Neste Sábado (24), Joe Biden tornou-se o primeiro presidente norte-americano a emitir uma declaração formal reconhecendo o massacre arménio de 1915 como genocídio. O site oficial da Casa Branca divulgou a declaração presidencial que relembra todas as vítimas do genocídio arménio, reforçando a posição americana em prevenir todas atrocidades contra os direitos humanos. O anúncio foi feito no 106º aniversário do início do massacre.

A caracterização do extermínio de mais de um milhão de arménios nas mãos do Império Otomano como genocídio é um assunto sensível tanto para arménios como para turcos. Muitos arménios entendem que a sua identidade nacional não será inteiramente reconhecida até que haja um consenso sobre o massacre de 1915. Por outro lado, os turcos vêm a questão histórica como tendo sido uma verdadeira ameaça ao Império Otomano em tempos de guerra e, portanto, justificada.

A seguir ao reconhecimento formal do genocídio por mais de 29 Estados e pelo Conselho da Europa, Joe Biden acaba por cumprir a sua promessa de campanha, ainda que incorra no risco de agitar as relações com a Turquia. Embora tal declaração possa implicar a imposição de pesadas reparações, o presidente norte-americano finalmente reconhece o massacre utilizando a palavra “genocídio”. Seus antecessores – Barack Obama e Donald Trump -, evitaram a utilização do termo no mesmo contexto, preservando boas relações com um dos aliados da NATO.

Biden está convencido de que as relações com a Turquia e seu presidente, Recep Tayyip Erogan, – que já têm deteriorado ao longo dos últimos anos – não deve prevenir a utilização de um termo que validará a súplica dos arménios e que sinalizará o comprometimento americano com os direitos humanos.

O ministro dos negócios estrangeiros turco, Mevlüt Çavuşoğlu, através do Twitter rejeita inteiramente a decisão e o pronunciamento americano, afirmando que a Turquia não aprenderá com ninguém sobre a sua própria história.

Notícias Secundárias:

  1. Irão é nomeado para a Comissão sobre o Estatuto da Mulher da ONU para um mandato de quatro anos, a começar em 2022.
  2. Três mísseis atingem o aeroporto de Bagdad onde estão tropas dos Estados Unidos. É o segundo ataque de mísseis contra os norte-americanos em menos de uma semana. Já no domingo (17) cinco mísseis atingiram uma base aérea no norte de Bagdad.
  3. Alexei Navalny, conhecido opositor de Vladimir Putin na Rússia, põe fim à greve de fome após 24 dias. Na quarta-feira (23) mais de 1,400 pessoas foram presas em vários protestos na Rússia a favor da sua libertação.
  4. França vai doar 100 mil doses de vacina da AstraZeneca a países africanos. Decisão integra-se na iniciativa Covax, incentivando à distribuição de vacinas pelos países mais pobres.
  5. Astronautas da NASA a bordo da SpaceX Crew-2 já estão a caminho da Estação Espacial Internacional.
  6. Destroços do submarino da marinha indonésia são encontrados no mar de Bali. A marinha declarou o submarino como oficialmente afundado, sem esperança de encontrar sobreviventes.

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