O Mundo de 23 a 29 de Novembro

O futuro “climate Czar” da administração Biden

Durante esta semana o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, apresentou algumas das personalidades que compõem o seu futuro governo. Dentre elas está John Kerry, apresentado num evento em Wilmington, Delaware, na última terça-feira (24).

 Kerry não é novo na política, tendo sido ex-secretário de estado na administração do antigo presidente Barack Obama. No entanto, assumirá um cargo junto ao Conselho Nacional de Segurança (NSC) nunca antes visto. É a primeira vez na história que o Conselho incluirá um oficial encarregado dos assuntos ligados às mudanças climáticas, algo que reflete o compromisso de Biden em abordar com urgência o que considera ser um problema de segurança nacional.

A pasta dos assuntos climáticos também não é novidade para Kerry, que como ex-secretário de Estado assumiu um papel importante nas negociações do Tratado de Paris. Ainda, em 2019, foi co-fundador de uma iniciativa de combate contra a crise climática intitulada”World War Zero” e apresentou-se este ano, juntamente com Alexandria Ocasio-Cortez, à “cadeira” focada na produção de políticas climáticas na força-tarefa Biden-Sanders.

A sua nomeação, juntamente com a criação deste novo cargo, aponta para uma mudança de paradigma político em relação à atual presidência de Donald Trump, que tem negado repetidamente a realidade científica da crise climática. Biden planeia retomar as responsabilidades acordadas no Tratado de Paris o mais rapidamente possível, e John Kerry no mesmo registo diz ainda que “(o acordo de) Paris sozinho não é o suficiente”. O plano do presidente eleito no que toca a crise climática envolve um investimento de 2 triliões de dólares em projetos de energia limpa, bem como um plano que pretende acabar com as emissões de carbono por parte das indústrias de energia até 2035.

A agenda legislativa de Biden sobre as políticas climáticas irá depender enormemente do Senado e se os Democratas terão – ou não – maioria absoluta. No entanto, independentemente do controle do Senado, Joe Biden afirma que irá assinar uma série de ordens executivas relativas ao clima cuja aprovação do congresso não será necessária.


O fim da ofensiva na Etiópia?

O governo federal da Etiópia reivindicou na última sexta-feira (28) o controlo sobre Mek’ele e deu por terminada a ofensiva contra a Frente de Libertação Popular do Tigray.

No passado dia 23, a forças federais da Etiópia cercaram a capital da região de Tigré após um ultimatum de 72 horas para a rendição da Frente de Libertação Popular do Tigray, algo que segundo o líder do movimento não haveria de acontecer. Milhares de pessoas morreram desde o dia 4 de novembro, aquando o início das ofensivas e, aproximadamente 43,000 passaram a fronteira do Sudão a procura de refúgio.

O primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, declarou no último sábado, o fim da “última fase” da operação militar que ordenou no início do mês, acrescentando ainda que “a polícia federal continuará a tarefa de deter os criminosos da FLPT”. Apesar das declarações do primeiro-ministro, é da opinião comum da maioria dos analistas que a conquista da capital não representa, de facto, sinal do fim de um conflito que, em menos de um mês, terá desestabilizado profundamente a Etiópia.

48 horas depois da declaração de Abiy Ahmed, o líder da FLPT afirma que Mek’ele já está sobre ataques outra vez. Residentes confirmaram ter ouvido explosões no norte da cidade. Debretsion Gebremichael, líder da Frente Popular, em comunicação com a agência Reuters, afirma que o centro da capital está a ser “atingido por armas pesadas e artilharia” e que a cidade está debaixo de “fortes bombardeamentos”.

A ONU estima que refugiados etíopes no Sudão cheguem aos 200 mil e apela a que agências humanitárias tenham acesso à região. Kenneth Roth, director da Amnistia Internacional, afirma ser necessário “enviar agora investigadores internacionais” tendo em conta as provas crescentes de atrocidades. As denúncias visam tanto as forças da FPLT como as do Governo.

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