Duas propostas na Netflix – edição Médio Oriente

The Angel (2018)

Um dos títulos mais interessantes no reportório da Netflix é o filme The Angel, cuja componente histórica será certamente um ponto extra para quem acompanha as relações internacionais. Com base em factos reais, o filme assenta numa sequência de acontecimentos que teve lugar após a Guerra dos Seis Dias (1967), com Ashraf Marwan, casado com a filha do popular presidente do Egipto Gamal Abdel Nasser, que faleceria durante os eventos retratados no filme, a ascender na política local e a tornar-se num agente duplo para a Mossad.

Num contexto particularmente conturbado da política da região, Ashraf monta uma teia de ligações e esquemas com a qual pretende evitar um maior banho de sangue, o que culmina com o desenrolar da Guerra Israelo-Árabe de 1973, também conhecida como a Guerra do Yom Kippur, e os subsequentes acordos de Camp David.

Este é um título que agradará sem dúvida aos adeptos de filmes de espionagem, com um passo da acção que mantém o filme fresco e estimulante até ao final.

Sand Storm (2016)

Dentro da estética do cinema independente – as técnicas de filmagem saltarão à vista, quando notamos o recurso a planos móveis, com a câmara não-fixa, o que nos transmite a ideia de um cinema mais crú e ao mesmo tempo nos envolve na acção – Sand Storm conta a história de Layla, uma adolescente beduína, que se vê num conflito entre os seus sonhos e objectivos e as imposições que a sua pertença tribal, numa cultura marcadamente patriarcal, lhe coloca.

O filme tem início com o pai de Layla a tomar a decisão de se casar com uma segunda mulher, e o filme explora as relações directas da personagem principal, em particular através da dinâmica que se cria entre esta e a sua mãe, que acaba por viver paralelamente um conflito pessoal. A acção foca-se sobretudo nas personagens e na respectiva forma de lidar com as circunstâncias, o que confere ao filme um teor mais intimista.

Sand Storm é uma janela para uma realidade distinta daquela que será a do seu público alvo, com um filtro humanista e feminista, e uma produção terrena que enriquece a experiência do filme. Embora não haja uma grande exploração da forma de organização social da comunidade, esta é uma proposta que promete, ainda assim, abrir horizontes e formar-nos uma ideia de como a vida pode ser diferente.


Para os cinéfilos, a Netflix incluiu recentemente na sua lista alguns clássicos do cinema egípcio da segunda metade do século XX. Do realizador Youssef Chahine, nomes como Destiny, Saladin ou Dark Waters não deixarão de apelar aos aficionados – afinal, são o produto da era que ficou conhecida como a “Era de Ouro do Cinema Egípcio”, e que ajudaram a cimentar a reputação do país como um grande exportador de media e produtos culturais.

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